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Freguesia de Vinhós

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Breve historia da freguesia de Vinhós

A freguesia de Vinhós é a mais moderna do concelho do Peso da Régua e foi desanexada da freguesia de Sedielos, também pertence ao mesmo conselho, em 11 de Dezembro de  1933, pelo decreto-lei n.º 23.331, publicado no Diário do Governo1.ª Série, n.º 282 e consta o seguinte:

«Tendo em vista o que foi ponderado por parte dos habitantes da actual freguesia de Sedielos, conselho do Peso da Régua, distrito de Vila Real, no sentido de ser criada uma nova freguesia com sede em Vinhós; tendo em vista as informações prestadas pelo Governo Civil de Vila Real, e a comodidade dos povos; usando da faculdade conferida pela segunda parte do n.º 2 do artigo 108.º da Constituição o Governo decreta e eu promulgo, para valer como lei, o seguinte:

Artigo 1.º  É criada no conselho do Peso da Régua, distrito de Vila Real, a freguesia de Vinhós, a qual é desanexada da freguesia de Sedielos, do mesmo concelho e distrito.

           Artigo 2.º A nova freguesia tem a sua sede em Vinhós e abrange as povoações de Vinhós, Fontaínhas, parte da Ponte de Fraga, na margem esquerda do rio Sermanha, Sobrado, Coutaina, Vila Nova, Ermida, Covo, Assureiras, Ferraria e parte da Ponte da Várzea, na parte esquerda do mesmo rio Sermanha.

           A nova freguesia fica situada na margem do rio Sermanha e é limitada de Sedielos pelo mesmo rio, desde uma fraga que fica perto da sua nascente, no sitio da Lameira das Moradas, até um pouco a jusante da foz do ribeiro de Marinhã.

          Publique-se e cumpra-se como nele se contem.

          Paços do Governo da Republica, 11 de Dezembro de 1933».

         O primeiro presidente da Comissão Administrativa da Junta de Freguesia, foi o Sr. António Araújo Coutinho, tendo-lhe dado posse o antigo Governador Civil de Vila Real, Sr. Dr. Montalvão Machado, e o Presidente da Câmara Municipal do Peso da Régua, ao tempo, Dr. Camilo Bernardes Pereira.

          Foi um dia de festa para a nova freguesia, que já há muito pugnava por tal desanexão.

          Uma banda de musica percorreu a freguesia, estrondaram os foguetes, fizeram-se discursos e á noite queimou-se um vistoso fogo de artificio, de afamado pirotécnico.

          Pode afirmar-se, sem receio de qualquer desmentido, que as pessoas que mais trabalharam para a formação da freguesia de Vinhós foram, entre outros, os Srs. Manuel Pereira Coutinho, António de Araújo Coutinho e Manuel Coutinho Dias, cujos nomes ficarão escritos em letras de ouro nas páginas da historia a fazer-se desta freguesia.

          E conseguiram, pelo seu esforço próprio, perdendo tempo, desinteressando-se por vezes dos seus negócios.

          Esta freguesia é de 2ª ordem tem por arago S. João Batista, a sua população actual é de aproximadamente 1400 almas espalhadas por 325 fogos.

          É bastante fria no inverno, devido à sua situação geográfica, pois fica sobe as faldas da serra do Marão.

          Dista da sede do concelho, por estrada 18 quilómetros e por Loureiro-Mouramorta uns 15 quilómetros.

          Confina ao norte com a freguesia de Fontes, pertencente ao concelho de Stª. Marta de Penaguião, ao sul, com o rio Sermanha, a nascente com as freguesias de Fontes e Medrões, pertencentes ao conselho de Stª. Marta, e ainda com a freguesia de Mouramorta, e a poente com o concelho de Baião.

          As suas aldeiassão bastante caracteristicase airosas, mas de dificil acesso, por caminhos de cabras, tortos e deteriorados. 

          A Ermida é o lugar mais abrupto, e está situada em pleno Marão e tem, todavia, um panorama belo e um horizonte rasgado. É ali que fica situada a celebre « Fraga da Ermida », sitio quase inacessível, onde a águia real costumava fazer o seu ninho; mas os habitantes, sempre aterrorizados parece que mandaram tirar-lhe os filhos e depois mataram a mãe, tendo assim a Fraga da Ermida ficado liberta de águias.

          Essa fraga, criação caprichosa da natureza, é de grande majestade: parece um fantasma ou um velho guerreiro a dominar aquela altaneira serra do Marão.

          A sua maior produção é o vinho, 1000 pipas, de magnifica qualidade.

          Produz também uns 200 carros de milho, algum azeite, centeio, cevada, trigo e bata. Sobre frutas, predominam a maçã, a cereja, a pêra e o pêssego. Exporta castanhas e madeira de pinheiro.

          Também possui, mas em grande quantidade, gado caprino, no lugar da Ferraria. Quem por ali passar fica deveras admirado ao ver centenas e centenas desses animais, que mais parecem um grande exército com uma dezena de pastores a comandarem. Esse gado pertence a diversos proprietários que vivem todavia, em sistema de « comuna».

          Os ares de toda a freguesia são puríssimos e as suas aguas magnificas.

          O povo, rude na maioria, mas de bom coração e boa índole, é amigo do seu amigo e de relativa hospitalidade.

          Ali deixamos algumas amizades também.

          Sobre escolas está mal servida, visto ter apenas uma, em Vinhós, para o sexo masculino e um posto escolar na Ferraria.

          Tem um posto de correios de 2ª classe.

          Não tem feiras, nem qualquer festa anual de importância. Está-se, contudo, a tratar da criação de uma feira, pelo facto de a freguesia estar muito longe da sede de concelho.

          Não tem ainda casa do Povo, embora seja uma das maiores necessidades da freguesia, mas está-se tratando do assunto, com as autoridades competentes.

          Possui Casa dos Vinicultores, cujo encarregado é o Sr. Manuel Rodrigues Soares.

           A sua historia está ligada à da sua vizinha freguesia de Sedielos, onde predominaram por largo tempo os romanos, sendo portanto Vinhós povoação antiquíssima.

           Também assistiu às invasões Francesas e certamente defendeu-se heroicamente dos seus indesejáveis invasores.

           A sua Igreja Matriz, de aparência bastante rústica, é linda por dentro e muito limpa e os altares encontram-se irrepreensivelmente bem ornamentados e estão a cargo de algumas famílias bastante devotas, que os arranjam caprichosamente. Data do ano 1739.

          Existem também dois Cruzeiros muito antigos, sendo um no centro da freguesia ( infelizmente arvorado em fonte pública ) e outro no cemitério.

          Esta freguesia não tem ainda pároco efectivo e todo o serviço eclesiástico é feito pelo abade da vizinha freguesia de Fontes.

          A sua actual Junta de Freguesia é composta pelos cidadãos: Manuel Pereira Coutinho, presidente; António Araújo Coutinho, secretário; Manuel Coutinho Dias, tesoureiro.

          É regedor o Sr. Henrique Pereira Cardoso.

          Estas entidades são bastante competentes, trabalhadores e pessoas das mais seleccionadas da freguesia.

          A Junta, apesar das minguadas verbas que usufrui, algumas coisas tem já feito na sua freguesia, tais como:

          A construção de dois fontanários, um lavadouro público, o conserto de diversos caminhos, o conserto de pontes e de uma estrada que liga Vinhós a Fontes e o conserto da escola de Vinhós.

          E no campo social, tem vestido algumas crianças mais pobrezinhas da freguesia e alguns indigentes.

          Mas tem aspirações, e não são poucas, e todas elas são de inteira justiça, esperando das entidades competentes que olhem com atenção e carinho para esta nova freguesia, situada nos confins do conselho.

São elas:

           A ligação da estrada de Vinhós à de Sedielos, junto ao lugar do Santo.

           A criação de uma aula feminina em Vinhós, visto que só lá existe escola para o sexo masculino ( e o professor , por remedeio e especial favor, consente na frequência algumas meninas ). Alem disso, o mesmo edifício chega perfeitamente para se fazer uma aula para o sexo feminino, ficando a ser mista, no que não há , portanto, grande dispêndio a fazer-se. A criação de uma Casa do Povo, e a criação de uma feira ou um mercado para abastecer o povo da freguesia. A construção de uma torre na sua Igreja Matriz e, finalmente a electrificação da freguesia, visto que o cabo condutor se encontra a 1700 metros de distância e um telefone, que hoje representa um grande melhoramento.

          Também os povos de Covo e Assureiras tem as suas justas pretensões, a saber:

          A construção de uma escola mista para a educação dos seus filhos, que sirva as duas povoações, e desejam também uma estrada que os ligue com o lugar de Sermanha, freguesia de Sedielos.

         Com estas duas legitimas aspirações são de flagrante necessidade a população dos referidos lugares confia na sua próxima efectivação.         

Lançado na internet por:
Manuel Queirós
 
Ideias de o lançar de:
José dos Santos Nogueira Augusto